A Família é um assunto que, ao que parece, quase toda a gente tem opinião. É do senso comum ouvirmos opiniões sobre aquilo que é, e aquilo que não deve ser. Contudo parece que a única certeza que pode ser evocada, é aquela de que não há ninguém que não tenha tido família. Dito assim, A Família faz a diferença, na medida em que é a condição da nossa existência, determinando em grande parte aquilo em que nos tornamos e o que pensamos acerca de nós.
Tamanha responsabilidade não deixa de ser assustadora, mas fácil de entender se pensarmos que é neste desafio de criar uma família que se preparam futuros adultos mas também futuras famílias.
Para compreendermos a família devemos pensar nela como um sistema relacional alargado, em constante interacção, cujos membros estão ligados entre si por vínculos afectivos, onde o todo é mais que a soma das partes que o compõem. Neste sistema alargado os pais assumem um papel de excelência, cuja missão, sem que alguém lhes ensine realmente as regras, se reveste de imensa responsabilidade, de significado e de importância. O afecto sincero e o amor, embora sejam os determinantes fundamentais, por si só não chegam. Os filhos são o projecto dos pais e como tal têm que ser aceites na sua individualidade, acolhidos, valorizados, protegidos e educados. Se dá trabalho? Claro que dá, na medida em que exige um esforço activo e diário por parte dos pais nas acções do dia a dia.
Não existem famílias perfeitas, existem sim famílias que se esforçam neste acto diário por construir um porto seguro e apaixonado para os seus filhos. Por isso, façam o favor de ter uma família feliz.
Lília Brito (Psicóloga Clínica)